BANHO DE CHUVA

O que a chuva dá quando molhamos
O corpo junto a quem tanto queremos
É seiva de amor que faz dos ramos
Secos da vida flores de crisântemos.

E as poças rasas em que chapinhamos
Lado a lado dizem que seremos
Do mais belo jardim felizes amos,
Pois servos da alegria viveremos.

Não importa que logo copiosas
As águas se abatam sobre as rosas
E transforme o canteiro em lodaçal.
 
O que a chuva dá - e bem enrama
Os corpos - nutre a fronde de estranha
Planta que não se curva a temporal.
 
Erigutemberg Meneses

REDE SOCIAL

A rede que balança na varanda
A tenho como rede social
E a transmissão de dados de sua banda
Vai pouco além da extrema do quintal.

De relacionamentos é a demanda,
Mas em seu mundo nada é virtual:
Quem participa entra na ciranda
De fantasias num mundo real.

A rede é curta e a banda é estreita,
Mas quando quem visita nela deita
E ao balançar dos dados fica tonta,

São tantas ligações a unir um poro
Aos poros de outro corpo que ignoro
Se o servidor dos punhos dará conta.

Erigutemberg Meneses