ARCO-IRIS


A cor do mundo que vejo ao redor
É da cera do lápis que me dás.
Às vezes, coloreio-o bem demais,
E noutras dele tiro toda cor.

É que a caixa de lápis multicor
Com que eu pinto a vida contumaz
Tem o matiz do que a gente faz,
Desenhando uma história de amor.

Se a colorida cera se esconde
Em meio às mágoas, busco... Mas aonde
Foi a luz irradiada em minha íris?

Mas ao reaparecer, de riso franco,
Até com um toquinho preto ou branco,
Ao mundo dou as cores do arco-íris.

Erigutemberg Meneses


SAUDADE ALCOVITEIRA

Minha saudade, velha alcoviteira,
Que vive de fuxico e de boato,
Traz o ouvido atento a qualquer fato
De origem falsa ou mesmo verdadeira.

Meu ouvido, também, sente a coceira
E a ouvir seus falatórios me empato
E tudo o quanto ouço eu acato
Esquecido ser ela faladeira.

Se a boca é grande e a língua um rabicho,
Não importa e o que é dito com capricho
A minha alma triste persuade.

Pois a trazer de volta os instantes
Dos intrincados nós dos dois amantes
Viram fato os boatos da saudade.

Erigutemberg Meneses