AS BORBOLETAS DO BRASIL

Na colorida quadra de um jardim,
Seis borboletas de asas multicores
Voam, disputando entre as flores,
A guirlanda entrançada de alecrim.

Se o escore torna-se ruim
E o jogo favorece os predadores
Sabem que encontrarão nos bastidores
Com a força do mestre querubim.

Em cada ponto ganho brilha o lume
Das medalhas já tidas no costume
Do colo a enfeitar corpo viril.

Sheilla, Fabi, Sassá, Mari e as gigantes
Thaissa e Fabiana e as restantes
Borboletas orgulham o Brasil.

Erigutemberg Meneses


ANIVERSÁRIO

Abriram-me as portas em agosto.
E sai de um mundo conhecido,
Para outro mundo, logo percebido,
Como a figura angélica de um rosto.

Assustado, chorei, não por desgosto.
No meu soluço, estava agradecido
Por ser alegremente recebido
Pelo riso naquela face posto.

E o mundo com este rosto de mulher
Acompanha-me onde estiver,
Cumprindo dessa vida o fadário.

Foram tantos agostos, mas o riso
Que o mundo transformou em paraíso
Recordo em cada novo aniversário.

Erigutemberg Meneses



SEGREDO

Todo segredo é um passarinho
Ou um inseto de asas como há...
Com rapidez ou bem devagarzinho,
Voa e não se sabe aonde vai pousar.

E se ave for, não é de fazer ninho,
Sendo um inseto, não é de cavar,
Com asas cada um dá um jeitinho
De cumprir seu destino de voar.

Se cansados e pousam num jardim
São breves, uns têm ninho por gaiola,
E outros num buraco vêem o fim.

E se quebram as asas, no arvoredo,
Se arrasta a ave e o inseto se enrola,
Nada impede o voar de um segredo.

Erigutemberg Meneses

SAUDADE

A casa de meu pai, como era imensa!
Cabia o mundo inteiro no quintal,
Onde em curvas no ar, a inocência,
Montava-se em cavalinho de pau.

A casa encolheu na florescência
Dos anos e nem era mais igual
O mundo, quando em plena adolescência
Descobri de madeira o animal.

Mas se meço, com o metro da lembrança,
As coisas que guardei na minha infância,
Vejo que elas nunca irão mudar.

O mundo é imenso, mas importa
É ver o cavalinho ali na porta
Da saudade querendo me levar.

Erigutemerg Meneses

CARTAS

Há muito tempo passa o correio
Sem trazer mais notícias para mim.
Embora traga sempre o bornal cheio,
O carteiro desvia o meu jardim.

Se bem antigas cartas, eu releio,
A vejo de contínuo ser assim,
Fazendo mil promessas, só alheio
Ao engano de anjo a via afim.

O seu peito de pedra, eu não sabia,
Apenas, ser a triste lousa fria
Onde se adormecera o coração...

Sem saber do desprezo, ingenuamente,
De longe o carteiro diz, somente:
- A carta do senhor não veio, não.

Erigutemberg Meeses


BICICLETA

Acordo e já me boto para ela
E nem dormindo a tiro da cabeça,
Em tudo, aconteça o que aconteça,
O meu sentido não se afasta dela.

Tão submissa e doce se revela,
Que é normal que a gente enlouqueça
E da razão num canto se esqueça
Sentindo a vibração dessa magrela.

Seguro em seus braços, num segundo,
Sem pressa, eu viajo pelo mundo
Da emoção mais viva e mais completa.

Todos os dias sem qualquer descanso,
Em novas aventuras eu me lanço
Montado em minha velha bicicleta.


Erigutemberg Meneses

DÚVIDA

Bem de manhã as vi, e enamorado
Fiz logo eterno voto de amor.
No céu a estrela Dalva em seu fulgor,
Com a moça partia o meu cuidado.

Surpreso eu fiquei ali pasmado
Sem decidir das belas a maior.
Da moça e da estrela era um só
Semblante: um terreno e o outro alado.

A dúvida se foi no breve instante
Em que no céu do rosto radiante
Da moça vi real constelação.

As estrelas dos olhos pinicavam
Os meus e os dentes alvos me cegavam
E na terra estavam bem à mão.

Erigutemberg Meneses


VINHAS DA AMARGURA

Felicidade era o que eu tinha,
Quando não tinha nada além de amor.
Sorvia a vida como um licor
Extraído por Deus da melhor vinha.

De mim fazia o amor o que quisesse
E eu querendo tão pouco! Tão somente
Alguém de alma branda e carne ardente,
Sem nada haver de si que não me desse.

Que viesse o amanhã! O meu destino
Igualava-se aos sonhos de um menino,
Por mãos afáveis, indo ao futuro.

Perdeu-se aquela tal felicidade,
Nos rastros de quem cheio de saudade
Nas vinhas da amargura eu procuro.

Erigutemberg Meneses

CONTAR ESTRELAS

Aprendi a contar para saber
Que quanto mais se contem as estrelas
E se esforce para todas vê-las
Em número algum irão caber.

Não basta o olhar atento para ver
Nem a ciência para percebê-las.
Se escondem das lunetas muitas delas
E nas contas nem vão aparecer.

O jeito de contar, descobri quando
Uma delas a mim disse piscando
Ao ver-me triste, a face dura em ruga.

- Só conta o que tiver quem ama ao lado,
Se estão todas no olhar apaixonado,
E quem conta só, vai é pegar verruga.

Erigutemberg Meneses

RIO DOS CEDROS

O tempo na represa é diferente:
Na preguiça fingida em cautela,
Os ponteiros alheios à chancela
Das cordas não caminham para a frente.

A tabuada fria e reluzente
Das horas dos relógios, sob a tela
Animada das águas de aquarela,
Não serve a contar nada a gente.

Um dia vale toda a vida eterna
A quem deixa as horas de fadiga
Sob a mata em franca agitação

Das aves que no céu, batendo perna,
Se espantam, quando o estranho àquela vida ,
Indaga impertinente que horas são...

Erigutemberg Meneses