VOTOS ANTECIPADOS

Neste final de ano, caso não
Presente eu me faça no Natal
E não lhe dê um abraço fraternal,
Desculpe, deve haver séria razão.

Mas em data de tanta emoção,
Vivendo a existência eternal,
Eu estarei pomposo no coral
De amigos invisíveis à visão.

Bem vivo, perpetuado nas memórias,
Ouvirei as piadas e as histórias
Sobre o homem que quis ser e não pude.

E retribuirei tamanho afeto,
No natal, desejando o mais completo
Ano Novo de amor em plenitude.

Erigutemberg Meneses


METAMORFOSE

Quando criança, somos a lagarta
De mandíbulas fortes, roedoras,
Vorazes a avançar sobre as lavouras,
Sem modos, a servir-se em mesa farta.

Adultos, o destino nos aparta
Da crisálida e de asas voadoras
Nós somos borboletas sugadoras
Do pouco que conosco a flor reparta.

Sendo lagarta ou então a borboleta
Parecer boa ou má vem da dieta
Que enche de energia o nosso ser.

E se a comida for conhecimento,
Viramos borboleta para ao vento
Levarmos longe o quanto se aprender.

Erigutemberg Meneses



O TEMPO

O tempo nunca pára. Sempre avança
A noite sobre um dia que se finda.
A primavera nem chegou, ainda,
E o inverno é quase uma lembrança.

A vida com a grande relevância
De ser dentre as coisas a mais linda
É um perene ciclo e, na berlinda,
Mesmo sendo o que é, a morte alcança.

Não há como estancar nunca os ponteiros
Do relógio do tempo, tão ligeiros,
Renovando os instantes do viver.

Se a passagem do tempo não se evita,
Cultuemos felizes a bendita
Graça que é saber envelhecer.

Erigutemberg Meneses