SONETO À LUA

No céu de outrora havia uma lua
Pequenina e branca a esconder
Em seus místicos traços a mulher
Amada e de beleza igual a sua.

No mesmo céu ainda lá flutua
O astro, mas a musa como quê
Sumiu. Quem olha sob as nuvens vê
A deusa transformada em grande rua

O homem estacionou a espaçonave
E escavando o pó com gesto grave
Não quer despir a musa dos amantes.

A bailarina, a Náiade do espaço,
Para o astronauta, apenas, sob o aço
Da face fria esconde diamantes.

Erigutemberg Meneses


ACORDAR

Em passos nunca dados tropecei
E em braços invisíveis me prendi.
Sonhei vivendo a vida e acordei
Esquecido até onde adormeci.

Pouco ou nada eu desperdicei
No sono, se ao acordar eu percebi
Um novo mundo e o diferenciei
Do velho aonde e estive e não vivi.

E neste cada novo dia vivo
Em paz e dos antigos sonhos privo,
Sem me evadir, porém da realidade.

Eu não evito tanto os sofrimentos,
Mas me sinto em todos os momentos
Vivendo o grande sonho da verdade.

Erigutemberg Meneses


VIVA O PRESENTE

Viver fatos futuros é louvação
À alma de quem nem veio a morrer.
E aceitar os pêsames pra que,
Se nem rastros do morto há pelo chão?

É viver sem presente a compulsão
De o futuro incerto se prever.
É doença que o corpo há de vencer,
Depois de à mente impor muita aflição.

Já bastam os problemas desse dia!
Resolva-os com toda a alegria.
Os de amanhã, decidem-se por si.

Não pense no futuro, se contente
Viver cada segundo do presente
Que as graças do hoje hão de te seguir.

Erigutemberg Meneses

ÚNICA EM TANTAS

O que em outras vidas fui eu sei:
Jamais eu dirigi bando ou tribo
E nas guerras o pé pus no estribo
De montarias digna de um rei.

Nas existências pelas quais passei,
Sempre pastor simplório sem um chibo,
Não fui de maldizer, passei recibo
Pelos frutos amargos que provei.

Boêmio, em existência altaneira,
Segui a vida tendo a companheira
Desejada ao longo dos caminhos.

De bens somente tive essa mulher
Que nesta vida (e noutras a viver)
Fez-me tudo trocar por seus carinhos.

Erigutemberg Meneses