ILHA
Não sei mover-me na água e nem voar
E estou prisioneiro numa ilha.
Entre o verde e aves faço a trilha
Com alguém que não quero acompanhar.
Muitas vezes me surge ao olhar
Como Vênus, trazendo à gargantilha
Espumas, nada mais, contudo à milha
Se encontra de seu corpo o meu pensar.
Nas horas de cor d’água, indago aos ventos,
No que parece em terra o paraíso,
Como pode haver tantos tormentos?
No fastio da noite já defronte,
Eu ouço: se não fosse indeciso,
Movia os pés, mudava o horizonte.
Erigutemberg Meneses
